Top 20: Melhores Filmes de 2010

Publicado: 03/01/2011 em Cinema

Às vezes temo que meus blogs que abro e fecho tendem a mergulhar em listas de favoritos. E o pior é que quando me desanimo a escrever, acaba escapando nas reanimadas dele apenas as listas de melhores.

Só que desta vez, espero embalar este blog inicial, que na verdade é continuação do falecido Fotograma Experimental (hospedado no zip.net), devido ao fato de estar escrevendo minha dissertação de mestrado que quero colocar aqui o diário do dia a dia e seu progresso.

Porém, o mais irônico fato, é que conversando com amigos blogueiros, este ano não me empolgou muito cinematograficamente. Sempre me lembrava de filmes que lamentava não entrar nos 30 melhores do ano. Este ano, porém, estou me vendo na situação de empurrar alguns filmes por generosidade numa lista de 20 filmes.

Segue a lista:

1) Machete (2010, idem) de Robert Rodriguez

O cinema de Rodriguez sempre caminhou pra uma retórica de paródia e política sem limites. Desta vez, tem muito mais território conivente ao teu universo. Além de uma espécie de prêmio que Danny Trejo merecia!

2) À Prova de Morte (2007, Deathproof) de Quentin Tarantino

Com quase 2 anos de atraso chega a outra parte do Grindhouse que faz pastiche dos filmes de V8 e de novo um mote de vingança. Quando o vi na mostra, não me chamou atenção muito. Na releitura, cresceu muito pra mim.

3) Vincere (2009, idem) de Marco Bellocchio

O diretor já havia me chamado atenção com seus filmes anteriores como Bom dia, noite e a hora da religião. Vincere pode não ser melhor que os anteriores, mas garante sua colocação como um dos melhores do ano.

4) A Ilha dos Mortos (2009, Survival of the Dead) de George A. Romero

Os filmes de Romero de uns tempos pra cá tem caído no interesse das distribuidoras. Eu jamais acho que a formula se esgote. E acho incrível como podem reverenciar “The Walking Dead” (que é apenas legal) e deixar um excelente filme destes passar batido.

5) Vício Frenético (2009, Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans) de Werner Herzog

Um dos filmes que já havia entrado na lista de melhores dos anos anteriores, mas garante seu lugar devido a uma lista de respeito de estréias em cinema no território nacional.

6) Toy Story 3 (2010, idem) de Lee Unkrich

A franquia já era uma das minhas favoritas e se tratando da transição e amadurecimento, tal qual o que passei quando abandonei minhas actions figures, o filme acerta em cheio na sensibilidade que desconfiava não existir mais.

7) O Escritor Fantasma (2010, The Ghost Writer) de Roman Polanski

Ao assistir me pareceu uma recolocação de “O Inquilino” para uma atmosfera mais política. McGregor porém, deu um toque semelhante ao que Johnny Depp fez com o “O Sétimo Portal”. Polanski ainda me impressiona em climas tensos.

8 ) Tropa de Elite 2 (2010, Idem) de José Padilha

Todos os defeitos do primeiro filme, meio que se justificam neste segundo que segura a tensão com menos ação e mais jogadas políticas na qual mais uma vez, Padilha escreve a história à frente de seu tempo e por involuntariedade acerta no escuro.

9) Invictus (2009, idem) de Clint Eastwood

O único diretor que me faz crer que Matt Damon atua muito bem. O painel de fundo do jogo, é uma política que se torna potente pelas mãos de um Mandella muito bem encarnado.

10) Os Outros Caras (2010, The Other Guys) de Adam McKey

Campeão de fazer comédias desgovernadas em que quem lesse o roteiro e assistisse o filme, sentiria uma discrepância de texto e imagem complementada pelo improviso de Will Ferrell.

11) Como Treinar seu Dragão (2010, How to Train your Dragon) de Dean Deblois & Chris Sanders

Mais premissas de amadurecimento através de provas, só que nesta vez, escandinavas. Existe algo neste filme sobre danos e marcas profundas de amadurecimento que me lembram Ponte para Terabitia.

12) Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar (2008, Ponyo) de Hayao Miyazaki

O garoto que conseguiu fazer um peixe que salvou, se tornar sua amiga numa fuga de um feiticeiro do mar. Profundidade dramática e grafismos incríveis com dimensão de campo mesmo que pareça uma imagem chapada.

13) Kick Ass  – Quebrando Tudo (2010, Kick Ass) de Matthew Vaughn

Sabe aquela frase do Homem Aranha de que superpoderes requer mais responsabilidade? Aqui no Kick Ass, não precisa dos superpoderes, mas apenas da postura diferente que acaba exigindo mais responsabilidade e conseqüências que viriam. Um filme que me impressionou por conta dos mesmos danos físicos que os “heróis” recebem.

14) Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010, Scott Pillgrim vs. The World) de Edgar Wright

Quando li que o diretor faria uma adaptação de HQ, eu temia que nisso fizesse uma erupção de grafismos no filme que me incomodaria igual me incomodou no “Caçadores de vampiras lésbicas” que me irritou muito. Mas me surpreendi com a direção segura, embora os grafismos ainda me irrite um pouco.

15) A Origem (2010, The Inception) de Christopher Nolan

Sou um cara que não me dou muito bem com o Nolan. Me irrito com seus fãs, mas tolero e assumo gostar de “O Grande Truque” na qual dou uma nota ótima. Algumas deficiências do cinema dele ainda continuam como lapidar pouco os personagens antes de jogá-los numa tempestade, mas no caso de A Origem, isso me incomodou menos, já que os personagens necessários se abriam no decorrer do filme. Assim, dei o braço a torcer de novo.

16) Ilha do Medo (2010,  Shutter Island) de Martin Scorsese

De novo Di Caprio com crises existenciais por causa do seu passado conjugal (preferi falar agora do que no A Origem) e me impressiona a qualidade pictórica do filme. O que me desagrada é este caminho pasteurizado que o cinema do Scorsese caminhava e me certifiquei que é momentâneo graças ao excelente piloto de Boardwalk Empire, que mostrou que Scorsese continua sim o mesmo.

17)  Harry Potter e as Relíquias da Morte:  parte 1 (2010, Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1) de David Yates

Por mais que prefira a primeira direção de Yates nesta franquia, a densidade deste filme, ou melhor, a densidade a cada filme é o que mais me impressiona. A adaptação tem tido sucesso ao demonstrar o amadurecimento do personagem e seu peso do fardo com um inimigo na cola ficando poderoso a cada investida.

18) A Estrada (2009, The Road) de John Hillcoat

Desde que se envolveu com Nick Cave em seus clipes, tenho acompanhado os longas deste diretor. Ainda acho que o melhor dele é o western sujo australiano “A Proposta”, só que o clima de fim de mundo que The Road personifica é desesperador. Pai e filho me lembram os mangas do lobo solitário, e o cima pós hecatombe reforça o peso dramático e ambientação co a música do gênio Warren Elis e o próprio Nick Cave.

19)  O Cisne Negro (2010, The Black Swan) de Darren Aronofsky

O Lutador, na minha opinião,  comprovou o quanto Aronofsky sabia dirigir, mas escondia o ouro. Suas obsessões de demonstrar as peles dilaceradas continuam neste thriller num filme de balet, e justamente esta premissa que me impressiona. Se alguém lesse isso, poderia até achar que seu cinema caminha pra um rumo totalmente Cronenberguiano, mas não era pra este caminho que me referia. Claro que este filme se repetirá ano que vem nas listas, acompanhando a lógica de estréias do Brasil, mas coloco ele de novo co nova leitura se necessário.

20) Tudo Pode dar Certo (2009, Whatever Works) de Woody Allen

De volta ao território americano, Woody poderia se tornar um cara chato em seu cinema, como quem volta de viagem aborrecido. E de fato, alguns amigos acham que o relacionamento do protagonista e a garota que se instala na sua casa seja o tal aborrecimento do diretor, mas a complexidade do protagonista na pele de Larry David é o que mais faz o filme crescer. E temos o recente filme do Allen Europeu que demonstrou que Europa não era bem a fórmula de sucesso.

————————————

É bem capaz que eu tenha esquecido de algum filme e volte com todo arrependimento possível, fazendo um post dos esquecidos. Mas por enquanto são esses os lembrados e vistos.

Desejo a todos um ótimo 2011, repleto de realizações e cinefilia!

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comentários
  1. Sara disse:

    Adoro o kick Ass.

  2. Alexandre Carlomagno disse:

    Invictus e Machete? No way! Rs, rs, rs.

    Enfim, listas são divertidas, e só. Não devem ser levadas tão a sério. Mas divago…

    O que realmente importa, aqui, é que o “Hermano” está de volta.

    Vê se não para esta joça novamente, hein?

    Um forte abraço.

  3. Ótima a lembrança de Invictus um ótimo filme de Clint Eastwood que volta e meia é massacrado pela crítica.

  4. Juliana disse:

    Gostei da lista de filmes embora não tenha assistido todos … mas um que me chamou a atenção foi O cisne negro, de Darren Aronofsky.

    Já tinha ouvido falar nele vê-lo aqui entre os melhores, me aguçou ainda mais a curiosidade.

    Bjos mil ….

  5. Marcelo V. disse:

    Cabrón, legal você ter voltado com o blog. Vi 7 filmes da lista _ muito bom, para quem anda mergulhado nos filmes antigos e desligado do circuito.

  6. Rodrigo Dias disse:

    Uma ótima lista, apesar de não ter assistido todos, é um top 20 muito justo. Comparando com a do titio Tarantino está bem melhor, mas todos sabemos que gosto não se discute.
    Outra coisa, escolheu um belo tema para o seu blog.
    Abs. Didds

  7. Pô, logo o primeirão eu não vi. hehehe. E fico na expectativa de que MACHETE ainda chegue aos cinemas locais. Se não chegar, aí sim vou ter que apelar para outros meios. Curiosamente, tem dois filmes que eu não gosto da tua lista: o Scott Pilgrim e o do Clint. :/

    • vebisjr disse:

      Cara, tenta descobrir se vai mesmo rolar no cinema. Este filme é incrível visto na telona. Scott eu gosto, mas conforme disse, os grafismos me incomodam um pouco. Clint eu gostei bastante, apesar que de um embalo de gigantescos filmes, este talvez seja um dos menores!

      • Vai ver eu fiquei mal acostumado a ver só filmaços. Pra vc ter uma ideia, eu fiquei tão decepcionado com INVICTUS, que coloco o filme lado a lado a THE ROOKIE. Ou ao menos um pouco acima.

  8. Ravi Santana disse:

    Vebis, interessante lista. Não assisti a boa parte dos filmes, e não concordo com algumas posições, mas gostei das justificativas, principalmente de Tropa2. Só que ainda acho que Ilha do Medo bate A Origem, mas é só a minha opinião…
    abraço

    • vebisjr disse:

      Tive duas situações que me chamaram atenção, Ravi. Origem me impressionou e até me agrada. Já ilha é como escrevi, o cinema do Scorsese caminha pra uma pasteurização que não me agrada muito. Obrigado por comparecer aqui…

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