A espera de David Fincher

Publicado: 01/03/2011 em Aleatório, Cinema, Cultura

David Fincher é um diretor de transição nos dias atuais.

Dita como aposta certa pra concorrer ao Oscar de direção, perdeu a estatueta para o diretor de “O Discurso do Rei” Tom Hooper que até então era apenas um coringa nas cartas apostadas.

Mas a carreira deste diretor oscila em filmes pra uma geração pop, encaminhando pra uma estética mais classica. A crença de que muitos tinham na cerimônia do Oscar, desconcertou na postura da Academia. É bem verdade as observações feitas pelo critico mineiro Marcelo Miranda que citou em seu twitter : “Na ressaca de uma madrugada, fico aqui pensando como uma instituição premia “Guerra ao terror” num ano e “O discurso do rei” no seguinte.” A este comentário, foi respondido por Filipe Furtado com”Slumdog Millionaire no ano anterior.” denotam um espanto.

Alexandre Desplat e David Fincher

Somente nesta simples troca de frases, notou-se uma observação de postura política oscilante de um juri que estranhamente dá um prêmio de direção para Martin Scorsese de maneira tardia, simplesmente porque seu cinema se pasteurizou. E vemos Fincher sentado no seu banco solitário, aguardando que seus filmes “mais comportados” atinjam a sensibilidade de juris, não que faça filmes pra agradar juri, a ação aqui é muito mais conjunta de produtoras e empresas que confiam a Fincher, um trabalho de maior erudição nesta nova linguagem classicista.

É distante a estética de seus primeiros filmes envoltos a alguns video collections que fez pra Michael Jackson, Aerosmith e Madonna dos seus três últimos filmes como foram Zodíaco (um dos meus favoritos), “O curioso caso de Benjamin Button” e “Rede Social” que foram antecedidos por outros vídeos musicais que também mudaram, por mais que o universo de vídeo-clipe seja experimental, seu cinema tem se enveredado pra uma padronização arrumadinha.

Aos seus filmes anteriores de sucesso com o público jovem como foi Se7en e Clube da Luta, muitos alunos que tenho e jovens entusiastas de cinema, se questionam do porque a justiça tardia não o contemple com prêmios, já que sempre endosso a importância mercadológica de investimento aos diretores “bola da vez” para o mercado de cinema que fala diretamente com o público jovem. Sobra espaço inclusive para piadas como “Fincher já tentou ser mais classico e não ganhou nada. Que volte ao seu cinema visceral” –  clamariam, mas o sistema que vive, não o coloca em política de autores independentes. Ainda acho um milagre ver Gus Van Sant (a este sim, meus votos de premiação americana), Mallick (diretor de cabeceira) ou David Lynch no banco dos que ganharam “nominees” e sabemos que este não é o universo ideal para eles, por mais que “Autores” do cinema americano tenham o rabo preso com o sistema mercadológico. Somente Fincher mesmo parece a cada dia estar mais perto da premiação que seus defensores tanto debatem comigo.

Mas confesso sentir falta de mais um filme como foi “Vidas em Jogo” o meu Fincher favorito. Enquanto isso, veremos mais facetas mercadológicas que irão deixá-lo mais próximo do reconhecimento popular americano, que é justamente a premiação que escapou-lhe dos dedos por um triz.

Gus Van Sant e Sean Penn em foto de Milk para Vanity Fair

 

 

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comentários
  1. Não morro de amores pela obra de Fincher e nem pelo filme em particular mas foi um retrocesso premiar Tom Hooper e O Discurso do Rei.

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