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David Fincher é um diretor de transição nos dias atuais.

Dita como aposta certa pra concorrer ao Oscar de direção, perdeu a estatueta para o diretor de “O Discurso do Rei” Tom Hooper que até então era apenas um coringa nas cartas apostadas.

Mas a carreira deste diretor oscila em filmes pra uma geração pop, encaminhando pra uma estética mais classica. A crença de que muitos tinham na cerimônia do Oscar, desconcertou na postura da Academia. É bem verdade as observações feitas pelo critico mineiro Marcelo Miranda que citou em seu twitter : “Na ressaca de uma madrugada, fico aqui pensando como uma instituição premia “Guerra ao terror” num ano e “O discurso do rei” no seguinte.” A este comentário, foi respondido por Filipe Furtado com”Slumdog Millionaire no ano anterior.” denotam um espanto.

Alexandre Desplat e David Fincher

Somente nesta simples troca de frases, notou-se uma observação de postura política oscilante de um juri que estranhamente dá um prêmio de direção para Martin Scorsese de maneira tardia, simplesmente porque seu cinema se pasteurizou. E vemos Fincher sentado no seu banco solitário, aguardando que seus filmes “mais comportados” atinjam a sensibilidade de juris, não que faça filmes pra agradar juri, a ação aqui é muito mais conjunta de produtoras e empresas que confiam a Fincher, um trabalho de maior erudição nesta nova linguagem classicista.

É distante a estética de seus primeiros filmes envoltos a alguns video collections que fez pra Michael Jackson, Aerosmith e Madonna dos seus três últimos filmes como foram Zodíaco (um dos meus favoritos), “O curioso caso de Benjamin Button” e “Rede Social” que foram antecedidos por outros vídeos musicais que também mudaram, por mais que o universo de vídeo-clipe seja experimental, seu cinema tem se enveredado pra uma padronização arrumadinha.

Aos seus filmes anteriores de sucesso com o público jovem como foi Se7en e Clube da Luta, muitos alunos que tenho e jovens entusiastas de cinema, se questionam do porque a justiça tardia não o contemple com prêmios, já que sempre endosso a importância mercadológica de investimento aos diretores “bola da vez” para o mercado de cinema que fala diretamente com o público jovem. Sobra espaço inclusive para piadas como “Fincher já tentou ser mais classico e não ganhou nada. Que volte ao seu cinema visceral” –  clamariam, mas o sistema que vive, não o coloca em política de autores independentes. Ainda acho um milagre ver Gus Van Sant (a este sim, meus votos de premiação americana), Mallick (diretor de cabeceira) ou David Lynch no banco dos que ganharam “nominees” e sabemos que este não é o universo ideal para eles, por mais que “Autores” do cinema americano tenham o rabo preso com o sistema mercadológico. Somente Fincher mesmo parece a cada dia estar mais perto da premiação que seus defensores tanto debatem comigo.

Mas confesso sentir falta de mais um filme como foi “Vidas em Jogo” o meu Fincher favorito. Enquanto isso, veremos mais facetas mercadológicas que irão deixá-lo mais próximo do reconhecimento popular americano, que é justamente a premiação que escapou-lhe dos dedos por um triz.

Gus Van Sant e Sean Penn em foto de Milk para Vanity Fair

 

 

Meus palpites para o Oscar

Publicado: 25/02/2011 em Cinema, Cultura

o banner da cerimônia

Filme – A Rede Social
Mas gostaria que fosse Bravura Indômita ou Toy Story 3
Diretor – David Fincher
Estranhamente, acho que seja o único preparado. Este ano tá fraco pra direção. E o Fincher levar isso aqui é de fato como “conjunto da obra”
Roteiro Original – O Discurso do Rei
Mas gostaria que “A Origem” levasse este. Uma das primeiras vezes que defendo o Nolan
Roteiro Adaptado – A Rede Social
Gostaria que BRavura Indômita ganhasse
Ator – Colin Firth
Indiscutível. Único que ameaçaria seria o Bridges que já ganhou a pouco tempo.
Atriz – Natalie Portman
Uma das poucas certezas do Oscar.
Ator Coadjuvante – Christian Bale
Outra posição indiscutivel. Um coadjuvante propositalmente melhor que protagonista.
Atriz Coadjuvante – Melissa Leo
Gostaria que fosse HAilee Steinfeld do Bravura, já que a garota ruleia do começo ao fim do filme. E claro, estranhamente é coadjuvante.
Animação – Toy Story 3
Sabendo que animação ainda não ganha como filme ( o que se rolar este ano, acho uma quebra de paradigma justa, pois Toy 3 é de fato um dos melhores filmes) voto Toy 3 pra animação, mas confesso que tristemente Como Treinar tá quase no mesmo páreo.
Direção de Arte – O discurso do Rei
Posso até votar no “Discurso do Rei” mas quero acreditar que aconteça aqui o que rolou com Sweeney Todd.
Fotografia – Bravura Indômita
Complicadíssimo esta categoria. Talvez uma das mais difíceis. Confesso que tive que entrar no imdb pra lembrar se ele (Deakins) tinha ganho por “No Country” e vi que perdeu pra Sangue Negro. Mas a justiça virá tardia e oo que vai acabar atrapalhando o prêmio para Libatique que era quem deveria ganhar, pois toda estética de Black Swan tem a fotografia como contribuinte.
Figurino – O Discurso do Rei
Fato. Nem “Alice” tiraria.
Documentário – Exit Through the Gift Shop
Tem ganhado respeito lá fora nos premios. Segundo imdb ganhou 7 premios de 9 indicações. Os outros não chegaram perto. E pelo trailer, lembra muita coisa de Borat, JAckass e uma certa dose de sensacionalismo.
Edição – A Rede Social
A edição do Boyle é demarcada por linguagem atual, o que garantiria prêmios, mas como ela é moderna, não agradaria os velhotes da Academia!
Filme Estrangeiro – Biutiful
Gostaria muito que fosse o dinamarques “In a better world”. Mas o xicano tá em crédito com a academia.
Maquiagem – O Lobisomem
A categoria que só vi um filme e aposto nele no escuro.
Trilha Musical – A Rede Social
Sou fã declarado do HAnns Zimmer e A Origem tem parte de seu peso devido a trilha score dele. Pensar que Reznor e Elsey ganhem este não deixa de ser uma ousadia.
Música – We Belong Together (Toy Story 3)
Eu temo perder nesta aposta porque ha alguns anos as animações não tem ganhado prêmios para canção. Mas Toy 3 acaba sendo excessão, já que os outros não abalam muito.
Edição de Som – A Origem
A Alma do filme tá no Som mesmo.
Mixagem de Som – A Origem
Estou me lembrando da “Supremacia Bourne”
Efeito Visual – A Origem
Balançado pelo “Alice”, mas os efeitos de A Origem completam a lógica narrativa e o pensamento de juri de academia que gosta de ver um visual FX mais coo contribuinte de narrativa do que portfolio e potencial de fogo.
Curta – God of Love
Porém, o “The Confession” tem grande potencial pra ganhar devido à beleza estética.
Curta Documentário – Killing in the Name
Foi o que mais gostei nos trailers. O unico concorrente que não pude ver o trailer foi “Poster Girl” e dos que vi, o único que ameaçaria este seria Sun Come Up sobre refugiados climáticos, assunto que torna o filme atual.
Curta Animação – Day & Night
Este vimos no cinema. E creio que justamente por ser cinema de verdade unido à tecnologia, não tem tanto potencial se visto num DVD. O curta de animação mais cinema que tem.

Vamos ver no que dá.

Ao se assitir as obras de Michael Mann, nota-se sua percepção mais apurada pelo genero policial. Até suas raízes na tv, após seus estudos na Europa se baseiam no envolvimento com series policiais: Havai 50, Starsky and Hutch e o piloto de Vega$. Mas o tom que acompanha toos s trabalhos, talvez tenham vindo de “Police Story” com o policial escritor Joseph Wambaugh que fez co que as histórias tivessem confiabilidade e autenticidade policial, pois o realismo impressionou a critica e público.

a antiga série Hawaii 5O

Seu primeiro grande trabalho premiado com Emmy foi The Jericho Mile, que garantiu a ele, uma produção executiva de Miami Vice e Crime Story, e melhor que direção, foi a influência estética que deu as duas series. Apesar de alguns outros filmes de inicio de carreira, é em Manhunter que notamos algumas parcerias nascerem, como com o diretor de fotografia Dante Spinotti. Ler sobre a repercusão de Manhunter na mídia Americana é de se encher os olhos, pois muita gente gabaritada do ramo policial, como William Petersen ( sim, “o cara” do CSI mesmo) elogiando seu trabalho e usando-o como referência para sua própria prospecção cinematografica. Existem outros filmes como “O Último dos Moicanos”, mas me atenho a falar dos filmes policiais, pois escrever sobre seu trabalho aqui é quase uma auto provocação de criar um piper academico sobre a proximidade da Obra de Mann com jornalísmo investigativo policial. Só é uma pena pensar que a proximidade com a estetica televisiva policial, seja da TV norte Americana, pois a nacional se distancia muito de uma realidade cinematográfica.

a antiga série que Mann produzia

Aliás, o nivel de programas policiais no Brasil é tão caricato que José Padilha teve que caricaturar as figures de jornalismo sensacionalista. De volta aos filmes de tom policial, Fogo contra Fogo marcou minha memoria como uma das melhores cenas de tiroteio urbano no cinema.

O memorável encontro de Pacino e De Niro em "Fogo Contra Fogo"

E em todos outros filmes policiais, o clima é sempre tenso: em O Informante, o personagem de Russel Crowe, passa por paranóias depois que ameaça revelar o segredo da empresa tabagista que trabalhou. Toda construção da paranoia, tem um efeito pungente unido à fotografia digital fria de Spinotti.

Al Pacino e Russel Crowe em "O Informante".

E se usar a mise en scene de Mann com o efeito digital, os sucessores: Colateral e Miami Vice cumprem bem o papel. Porem, os dois filmes tem a direção de fotografia de Dion Beebe, provando que Mann seja um dos diretores que mais sabe dialogar e explorar a fotografia digital, ou a direção fotografica que transita com a camera em recursos policiais, nota-se seu estilo na pegada dos filmes.

Tom Cruise e Jamie Foxx em "Collateral"

Lembro-me de várias vezes que sentei em mesas de bar e conversei com amigos criticos e cinéfilos do quão ousado e bonito foi ver em Miami Vice as imagens assumidamente digitais em locais de cena noturna.

Sua última obra, Inimigos Públicos, em que criou a mise en scene perfeita de um filme de época sobre ultimas investidas do gangster John Dillinger, foi pouco comentada, mas poucos observaram o quão ousado novamente mann foi ao preferir manter o digital inclusive para um filme de época. Toda esta idéia de relembrar a obra de Mann, vem como uma espécie de prequel do que ando querendo pesquisar para criar uma publicação para a pós em artes visuais. Um piper que vai criar uma análise comparativa da estética policial dos filmes de Mann com a veia de jornalismo investigativo. Só precisa encontrar o fio condutor para delinear as duas linhas de análise.

Cena de "Inimigos Públicos".

Cultura Custom

Publicado: 13/01/2011 em Cultura, Dicas, Motocicletas

Existe uma proximidade muito grande quando chamamos o cinema de “cinema de autor” com o trabalho de customização para carros, motos ou qualquer tipo de veículo. E este universo automotivo vem acompanhado de um bônus da atmosfera que todos que gostam e abraçam, chamam de estilo de vida. A quem já foi numa feira de Cultura Custom entende bem. Nota-se carros, motos, bicicletas customizados em benefício do dono. E existe também, tatuadores, lojas de roupa, acessórios para automóvel ou para casa que de certa forma, dão o ar da graça para uma padronização do ambiente.

HD Deluxe customizada pelo Garage Code Motorcycles - SP

Menos peso para receptividade da massa, pois existem programas que ajudam muito pra isso: Los Angeles e Miami Ink que mostram a desmistificação da tatuagem que até décadas atrás era tido como obra de marginais e presidiários. Ou o programa American Chopper que demonstra como uma moto pode ser construída ou de carcaças ou a partir de uma nova mesmo. Aí nascem as vertentes New School e Old School que tanto vemos em qualquer tipo de cultura de carros, motos, tattoos , pinturas e por aí vai. O importante aqui seria sempre a partir dos punhos, se criar ou redefinir desenhos para customização de tanques, peles, quadros entre outros objetos.

A arte em sim, tem um intuito muito interessante de laços afetivos, pois quando um artista customiza, quer imprimir sua marca no objeto. Aos que de fora olham, entendem esta particularidade da criação e dono, porém, existe o terceiro elemento que se inclui nesta apreciação na qual criatura e dono foram beneficiados: o criador. Alguém vê a obra criada e pergunta se foi fruto de tal criador. A compreensão da obra é dupla: por ser conivente como universo que este (caso traga tatuagem ou moto, por exemplo) venha demonstrar e com o traçado de tal artista.

As feiras custom ficaram muito famosas na Califórnia, onde muitos imigrantes latinos ganhavam carros sucateados e iam reformando e comprando peças em desmanches até reformar o carro todo. No Brasil isso complica muito, pois o Detran ainda não reconhece esta nova classe de customizadores que atrapalham-se em padronizar cores ou motores re aproveitados de leilão ou depósitos.

Eu e Carol na feira Hot Style da Hot Rod Brasil no ABC

A classe tem crescido de forma avassaladora no Brasil com ajuda de Organizações como o Hot Rod Brasil que faz eventos em todo Brasil. Com o aumento e apreciação em maior escala desta cultura, nascem lojas que acompanham e se atualizam para atender aos gostos. E aos desavisados, temos estas lojas em São Paulo que percorrem desde o lado centro até os jardins. No centro,  na Galeria Ouro Velho temos a Barbearia 9 de Julho, criada aos moldes das barbearias da década de 40 e 50 onde os homens achavam ali, seu subterfúgio para o momento masculino de revelações, apostas e debates. Quem for visitar a Barbearia, vai estar aos cuidados de Tiago Secco e Anderson Nápolis. Vale lembrar do produto de fabricação própria, a pomada para modelar cabelos Slick.

Barbearia 9 de Julho

Nos jardins, na Galeria Ouro Fino temos a Breaknecks, loja especializada em vendas de roupas, objetos de decoração entre outras memorabílias da cultura Custom. O proprietário, Ricardo Faria, viveu alguns anos na Europa e chegou ao Brasil em 2009 para criar sua loja. A loja serve até como point a ponto de se distrair horas a fio com tantos objetos por lá. Outra loja que fecha o ciclo da pesquisa de épocas e segmentada em vendas é a Aloha Café Surf de Isabela Casalino, garota especialista em cultura vintage, em especial da cultura Tiki que muitos chamam de havaiano. Conversar com Isabela é ter uma aula do que seria cultura Tiki, mas isso se descobre ao manter contato com a loja.

Fachada da loja Breaknecks na Galeria Ouro Fino - SP

O ambiente acolhedor da loja Breaknecks

Roupas, livros e demais artigos da cultura custom